sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Destrambelhando o mangá (1)

Emulando os grandes sucessos de mangá dos anos 90 (1)



Um moleque bandidinho assalta um nerd e além de levar os valores, leva uns mangazinhos. O bandidinho vai pro seu esconderijo, avaliar o que consegue com o butim. Acende um baseado, pega um gibi e começa ler. E lendo, dá risada das fantasias de RPG que tem nada a ver com a realidade das coisas, exceto pelos videogames da internet da lan house e um ou outro game de Playstation que joga de vez em quando.

Aí ele vai ficando muito alucinado com a maconha, e afunda mais ainda no universo daquele textinho passatempo... até que se dá conta que não está mais no muquifo dele, e sim numa putzgrila dum ALTAR, cercado de um monte de gente vestida que nem nas porcarias das revistas, parecia que estavam fazendo algum tipo de invocação maluca, e pelo tom da conversa entre eles, estavam querendo convocar um grande e lendário guerreiro, e emerge a porcaria de um moleque, PELO MENOS armado de um três-oitão, navalha e uma metranca com algumas balas.

O moleque acha isso tudo uma grande porcaria e quer voltar pra casa (ele acha que tá viajando demais por causa do "beise" - nem quando experimentou coca ele pirou daquele jeito). Aí é uma confusão dele dando tiro pro chão pros "cosplayers-pra-valer" se ligarem que ele PODE e saírem da frente, e uma porcaria de uma guerreirinha cisma de encarar a fera.

Como a mina é bonitinha o nosso herói quer evitar balaço na cara da vagabunda, porém, ela é muito boa com a espada, o que faz ele sair correndo escadaria abaixo pelo que parece ser uma torre de castelo. Na perseguição, eles acabam ficando sozinhos numa sala que parece um tipo de depósito de poções, e com os potes quebrados ela se enche de vapores...

A mina, desacostumada com alteradores-de-percepção-da-realidade, fica bamba, e o nosso amigo já chapado tem simplesmente um efeito colateral: O DELE fica DURO (pombas, isso nunca acontece quando ele fica maconhado). Resultado, menos uma guerreira virgem naquele mundo mágico. Tadinho do "noivo-prometido" dela!...


Estas são as aventuras de
JAHIR DO MORRO DO ESCULACHO

domingo, 26 de julho de 2009

Premissas e elucubrações (2)

Catzo, porque me incomodei tanto com o gibi LULUZINHA TEEN ?



Sou eu que tou me achando muito sem ter PORCARIA NENHUMA ESCRITA, só um monte de especulações (felizmente no caminho certo!) sem botar direito as mãos à obra para a realização, ou esse povo é que gastou uma energia mental danada, trabalhou em equipe, fez reuniões de brainstorming e de briefing, pesquisou sob o chicote do prazo e do contrato com a Ediouro, e mesmo assim fez uma mixaria de um mangazinho tipo shojo beeem genérico, carisma ZERO, e precisando a toda hora evocar OS PERSONAGENS QUE SUPOSTAMENTE ELES SERIAM NA INFÂNCIA (o gibi original) como se buscasse uma aprovação “divina”, como se apelassem a uma autoridade superior ACIMA DA DOS LEITORES! Será que esse povo que quadrinhizou a Luluzinha Teen não tem talento suficiente pra fazer alguma coisa legível e divertida mesmo pra alguém como a minha filha de oito anos? (hmm, na verdade ainda não fiz o teste...)

Eu já tive minha cota de fazer coisas nas coxas por precisar cumprir metas, quando trampei lá no estúdio do Firmino, e mesmo aqui no meu serviço... e mesmo antes, pergunte praquela revista-vídeo de 16 páginas Stiletto que fiz com JRP para a distribuidora Show-vídeo... esqueci esse o nome mesmo? Mas sei lá, parece que o pecado não foi na execução da idéia (apesar de concordar com as críticas que outros fizeram acerca dos desenhos), parece que o rombo foi mesmo na concepção original do troço... que catzo de pesquisa foi essa que não considerou o impacto da deformação dos personagens originais na imagem que eles queriam, já que queriam aproveitar a suposta fama destes? E porque não considerar os aspectos mais presentes no imaginário popular relativo à personagem Luluzinha, que é justamente a expressão “Clube do Bolinha” (“menina não entra”)? E que catzo de pesquisador de marketing de mercado ligado à mídia quadrinhos que não percebe o puta potencial de explorar essa faceta de isolacionismo masculino, de grupelho, e misoginia infantil que tem que ser derrubada na adolescência em prol de um objetivo maior, melhor e mais nobre: COMER AS MENINAS? Porra, o conflito é a base da história... e quer conflito melhor que este da problemática meninosXmeninasX sair da infância e ir pra adolescência?



Imagina o estrago em termos de potencial de cativação do público-leitor se isto fosse levado adiante... hmmm... é, provavelmente a Ediouro iria vetar!!!! Eles querem mais aqueles conflitinhos artificiais mesmo, beeeem politicamente correto, beeeem família... mas, porra, HANNA MONTANA é calcada num conflito bem evidente: ninguém dá a menor pelota pra Miley, a adolescente estudante normal... mas todo mundo paga pau pra Hanna Montana. É a exploração do mito da identidade secreta pra gente que não tá nem aí pra gibi de super-herói. HIGH SCHOOL MUSICAL explora a questão da obrigação das pessoas serem aquilo que OS OUTROS esperam que elas sejam, o enquadramento em seu papel social, sem contestação, encaixar-se no estereótipo, seja do jogador de basquete, seja o da musa do teatro, seja o do nerd, é o que se espera em termos de aceitação social... e, no entanto, TODA A TRAMA É CALCADA NA POSSIBILIDADE DE FAZER ALGO MAIS, EXPLORAR TODO O POTENCIAL DO SER HUMANO EM USUFRUIR DE MAIS DE UMA HABILIDADE, daí botar a porra do herói, capitão do time de basquete e grande esperança pra escola sair de uma tradição de derrotas, ir cantar no musical de primavera junto com a estudante novata nérdia do caralho!!! E darem aquela porra de show musical que tanto encanta as crianças que a Disney tão bem aprendeu a fazer em gerações (Mary Poppins tem lá seu charme...)

CUSTAVA MUITO os caras do estúdio da Luluzinha Teen trabalharem a partir de uma premissa de conflito sem recair em nada muito controverso nem complicado nem politicamente incorreto? Porra, o filme do Scooby Doo partiu NÃO DOS PERSONAGENS ORIGINAIS EM SI, mas foi buscar na PERCEPÇÃO QUE AS PESSOAS FÃS DO DESENHO TÊM DOS PERSONAGENS... e a partir dessa premissa, fez um filme que achei bastante divertido e cheio de conflitos... todos censura livre!!!

Minha filha, quando tinha cinco pra seis anos e essa bagaça do filme original ESTOUROU, queria ser a Gabriella, a personagenzinha nérdia, porque as duas eram parecidas (a atriz Vanessa Hudgens é sino-americana), e era a mocinha, a heróina da história, afrontada pela Loira Vilã, a personagem da Sharpay.

Só que a minha menina era (e ainda é) tão perua, mas tão vaidosa, que eu vivia aporrinhando-a, dizendo que ela tinha mais a ver com a peruagem da Sharpay, a rainha do teatro e do espetáculo musical, toda exuberante, perua, do que com a heroína modesta, quietinha em seu cantinho, que só crescia enquanto espetáculo quando abria a boca sobre um palco (eta forçada de barra do diretor e coreógrafo do filme, mas funciona de certo modo, largaram mesmo os melhores números musicais pra mocinha e pro boiolinha do mocinho, senão o filme não funcionava!).

Minha filha ficava fula da vida comigo, achava que tinha que ser a mocinha “apagadinha”, certinha, e morena com cara de mesticinha. E quanto a querer ser igual à vilã, ser egoísta e querer prejudicar os outros não tinha nada a ver...

Só que o carisma da atriz que fez este papel foi tal, que mesmo bancando a “vilã”, o personagem acabou conquistando seus fãs, e teve o papel de “vilã” sendo reduzida ao de “aprontona”. Lembra daquela personagem, a Alexandra do desenho animado Josie e as Gatinhas? Era isso, alguém com inveja, ciúme, e capaz de sabotar, mas no fundo alguém da turma, alguém do lado dos heróis.

Atualmente, aos oito anos, minha filha reconhece mesmo que a-do-ra o estilo perua da personagem, e que adoraria poder dirigir o conversível cor-de-rosa com as iniciais de nome e tudo o mais.

Acho que é isso que queremos dizer com o personagem escapando do controle dos criadores e traçando seu próprio rumo pela própria força e pela capacidade de provocar esta reação de empatia com seu público. HSM não foi de maneira alguma feito pra mim, não pertenço de forma alguma ao público-alvo, e apesar da marca Disney Channel de manipulado e fabricado até o pescoço, eu sempre que posso defendo a mensagem passada na história original, e graças a Deus, repetida novamente no filme para cinema: SAIA DA PORRA DO SEU QUADRADO, NÃO VIRE UM ESTEREÓTIPO DE SUA IMAGEM PESSOAL QUE VINHA CULTIVANDO ATÉ ENTÃO, TRANSCENDA, E EXERCITE SUAS HABILIDADES EXTRAS A PONTO ATÉ DE PODER NÃO APENAS USUFRUIR COMO TAMBÉM EXERCÊ-LAS PROFISSIONALMENTE.

High School Musical, essa história pueril, soube passar com precisão essa mensagem, de forma que até uma criança de seis anos conseguiu apreender de alguma maneira... e é este o espírito que para mim deve nortear qualquer produto de ficção dirigido às crianças: QUER ALGUMA COISA? VÁ EM FRENTE! LUTE COM TODAS AS SUAS FORÇAS! E NÃO SE APOQUENTE COM O QUE OS OUTROS PENSAM OU DEIXAM DE PENSAR SOBRE SUA ESCOLHA DE VIDA!!!!



Fechando o raciocínio sobre a Luluzinha Teen, do ponto de vista comercial, temos mais é que aplaudir a empreitada, torcer para dar certo e vender, e abrir o mercado de quadrinhos que está bastante restrito no que se refere à produção nacional.

O grande problema é que o projeto peca em vários quesitos, e o mais grave é que a capacidade de entretenimento desta revista está bastante comprometido, especialmente pelo expediente de inserção de diversas cenas apresentando o personagem na infância, e mostrando que agora está assim na adolescência... essa insistência em atrelar-se à uma imagem do passado para justificar a “continuidade” da vida do personagem nas novas aventuras, da forma como foi feita, soou como um autêntico ESTELIONATO, especialmente para quem lembra das histórias originais, inocentes, descompromissadas, infantis.

Alterações de interesses e até mesmo de personalidades são aceitáveis dentro da narrativa da passagem da infância do personagem para a vida adolescente, e quiçá adulta.
A falha que os malditos velhos antigos leitores de gibi (como eu) persistem em alardear a todo canto é essa incapacidade dos autores de trabalharem a referência original dos personagens e darem um desenvolvimento condizente, como foi feito com a turma da Mônica em sua adolescência-mangá. Isso nos soou bastante ofensivo, desrespeitoso com a memória dos personagens, em suma, UMA EMPREITADA RESTRITAMENTE COMERCIAL MOVIMENTADA ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE PELA INVEJA (“a grama do vizinho é mais verde”) do sucesso editorial do sr. Maurício.

Obviamente os leitores contemporâneos poderão apreciar em muitos as aventuras de Lulu, Bola, Ana, Alvinho (qual será o nome dele sem o diminutivo? “Alvo”, que nem o Dumbledore? Droga, era Alvin no original), Careca e Pitty. Honestamente, não sei o que considerar do ponto de vista do público-alvo. Mas parei alguns minutos especulando sobre possibilidades de desdobramento com base no existente, e fiquei surpreso de terem saído idéias boas, com possibilidades de agradar, e sem incomodar aos saudosistas.

1.- “Clube do Bolinha” é uma expressão popularíssima que transcendeu o gibi da Luluzinha. Muita gente conhece e usa a expressão (especialmente pelo seu lema: “Menina Não Entra”), mesmo sem ter sequer a idéia de onde veio esse termo. O Clube do Bolinha, no contexto da série, podia simbolizar questão da criança querendo montar seu grupo de amigos com uma identidade em comum, que, na adolescência, das duas, uma: ou viraria uma lembrança de saudade de um passado em que pertencer a um grupo era mais fácil e inocente, ou o clube ainda existiria na cabeça de seus ex-membros e seria “evocado” toda vez que eles precisassem conversar sobre algum assunto “de menino”

2.- Luluzinha era exímia contadora de histórias, sempre narrando pro Alvinho contos da bruxa Meméia (ou Tetéia?) e contextualizando a moral da história a alguma coisa que o Alvinho estivesse aprontando ou questionando. Seria natural de esperar que ela, adolescente, gostasse de criar histórias também, mas agora de Wicca, ou similares, e povoasse seu blog com isso, fazendo algum sucesso entre os tweens (e talvez, ironicamente, ser ignorada pelo mesmo Alvinho que a escutava no passado)

3. - Bolinha era o cara inconformado com as coisas fora de ordem de seu cotidiano, e assumia a identidade do Aranha, o detetive, para solucionar os mistérios. Se alguém seria o motor de uma investigação de algo que está estranho e errado, esse personagem seria automaticamente o Bolinha. O duro é que a Luluzinha mais atrapalhava que ajudava. Normalmente a situação estranha, um objeto quebrado ou sumido era o seu Jorge, pai da lulu, que tinha quebrado ou removido para trocar por um novo (e o coitado, a exemplo do mordomo, era sempre o primeiro a ser o culpado, sob protestos da filha!)

4. - Glorinha sempre foi o personagem ligado a coisas de moda, chique, e esnobando gente menos “antenada” como a Luluzinha. Seria um contraste interessante entre a Lulu e a Glória na adolescência, como as personagens de seriados juvenis da Disney.

5. - Mino, o alienígena, podia ser atualmente uma espécie de fantasia do passado do Bolinha. E ele, agora, adolescente, poderia fazer questão de manter uma imagem de “adolescente normal”, mas sempre tendo um pezinho nérdio, interessado por coisas de alienígenas, alta tecnologia, filmes, internet, etc. Seria interessante se ele fosse dividido entre essa paixão nérdica contrapondo-se à necessidade de manter uma imagem de descolado e “cara normal”.

6. - Aninha e Carequinha são irmãos e sempre se bicaram. Seria interessante explorar esses conflitos potencializados pela adolescência.

7. - Bolinha sempre pagava pau pra Glorinha, e esta por sua vez só tinha olhos pro Plínio. Daria conflitos bastante chamativos manter esse triângulo amoroso na adolescências dos três personagens, com a entrada da melhor amiga do Bola, Lulu, na equação.

8. - Voltando ao Clube do Bolinha: houve uma mudança radical de pressuposto entre a Criança e o Adolescente. Na infância, a menina era vista como um estorvo, um elemento totalmente oposto às brincadeiras “de menino” que os moleques adoravam, e daí pra exigir distância das meninas (mesmo daquela para quem o dono do clube ficava pagando pau) era algo natural. Na adolescência, mudou toda a regra do jogo, os meninos querem mais é chamar a atenção das meninas, querem chegar junto. Nada mais “empata-foda” que um clubinho de meninos extremamente chauvinista. E por isso mesmo, ele NUNCA DEVERIA TER SIDO DEIXADO DE LADO NA ATUALIZAÇÃO da Luluzinha Teen. Ele é o elo simbólico entre o passado dos personagens e o seu presente, representação da infância tanto dos meninos integrantes do grupo (ou os excluídos, como o Plínio e a turma da Zona Norte), como das meninas, cujo papel nele era “Menina Não Entra”!


Eu tenho a impressão que qualquer um dos temas que propus iria diminuir em 90% as queixas sobre a descaracterização da Luluzinha, sem exigir grandes mudanças, nem no caracter design, na posição da Ediouro sobre o assunto, censura livre, etc. Com as palavras, os autores!

sábado, 25 de julho de 2009

Um momento especial. O presente do Ator e para o Ator

Gero Camilo como Naum, o porteiro - ©2009 Globo - Todos os direitos reservados

Os Presentes


Kléber Albuquerque

Que presentes te daria?
Uma estrela vã do firmamento
Pra iluminar o vão do pensamento

Uma tevê na garantia
Árvores plantadas no cimento
E meu perfume na rosa-dos-ventos

Um novo ritmo da Bahia
Cartas de amor com frente e verso
E meu percurso nesse universo

Nas horas sem fim
Em que a dor não tem mais cabimento
É no teu prumo que eu me oriento

Catedrais de alvenaria
Senhas pra não mais perder a vez
Casa, comida e um milhão por mês





Eu vi um ator ser presenteado hoje, no último capítulo de uma minissérie da Globo, o Som & a Fúria. Ele foi presentado com a oportunidade de um monólogo, no final do episódio, em que o seu personagem, o porteiro do Teatro, tem uma oportunidade de se apresentar o seu improviso no happy hour, quando o pessoal encontra-se no bar/café em que todos se reúnem após as apresentações e o dia de trabalho.

Lá, em meio a um público de amigos, ele solta o seu poema, meio musicado, como se fosse um repentista, acompanhado pelos demais com instrumentos musicais.
E, no meio da minissérie da rede Globo, com sua pouca audiência tanto pelo horário ingrato quanto pela temática mais elaborada e não lá muito popular, me perguntei quantos desses poucos telespectadores teve a felicidade de perceber que o poema recitado pelo personagem do Gero Camilo não foi escrito pela equipe de roteiristas da adaptação do original Canadense para a minissérie televisiva, nem foi retirado da obra de Shakespeare: era um POEMA QUE ELE PRÓPRIO USAVA EM MONÓLOGOS EM SEU INÍCIO DE CARREIRA, um que vi há mais de dez anos atrás, antes dos papéis no cinema, das participações especiais em minisséries. Não ouso arriscar se ele mesmo, Gero Camilo, teria escrito tal monólogo, mas, ver um ator ser presenteado com uma oportunidade dessa, em que praticamente ficam misturados personagem e trajetória pessoal, sem destoar do conjunto, sem parecer forçado, aliás, parecendo até que foi escrito também pelos próprios roteiristas da telessérie, e só quem conhece as histórias de bastidores e ouviu aquelas palavras da própria boca do Gero em pessoa há tanto tempo atrás... (nem sequer me lembro se era show da Ceumar, da Rita Ribeiro ou da Natália Malo, ou talvez até fosse de nenhuma delas, será que era do Kléber Albuquerque? Só lembro que a Tata Fernandes, a mulher do Kléber, estava na platéia e que foi no Centro Cultural São Paulo... à época eu ainda andava com esse povo, e provavelmente o Gero também)

Será que alguém pode entender a maravilha que é esse presente da obra de ficção refletir de maneira metafórica, homenageante, um episódio da vida real? De reinventar um fato real dentro das regras do jogo estipuladas pela obra ficcional em questão?

Lembro-me de uma metáfora semelhante, só que no meu meio ambiente, os gibis... tinha a ver com uma espécie de grande decisão editorial de reformulação total da cosmogonia de diversos personagens clássicos, que se refletiu em todos os títulos da editora, e todos os arcos de histórias dos mais diversos personagens tinham que se encaixar no grande quadro geral ancorado pela publicação-chave em doze edições que consolidava a mudança editorial.

Houve um título que já vinha sendo produzido de maneira a revolucionar o modo do personagem, e o autor, um talento ímpar, maliciosamente criou um arco de histórias que não se furtou à reformulação geral dos personagens muito menos ao grande evento que era narrado na publicação-chave, apenas abordou uma parte que ficava metafísica e metaforicamente distante, porém essencial. E providenciou uma história que podia ser traduzida como o despertar da consciência de uma inocência do mundo em preto-e-branco, os bons como puramente benevolentes e os maus como absolutamente malignos dando espaço às nuances de cinza, áreas misturadas, e nisso o papel do mal como o plano de fundo, o contraste realista que serve justamente para se valorizar e destacar as virtudes.

E em meio a tudo isso, o personagem-título, vai decidido, mas não para combater, mas sim em resignação, pois ele nada podia fazer perante aquela entidade, apenas ir lá porque precisava fazer alguma coisa, e simplesmente... DIALOGA. E, em meio ao diálogo, aquilo que a entidade tanto almejava compreender... ela CONCLUI, ajudada pela conversa! E o destino metafórico, tanto do personagem quanto aos próprios rumos do título, não poderia ser mais simbólico "Parta livremente como você entrou!"




E eu acredito estar atingindo esse nível de metáfora, de recriação de eventos do mundo real nas regras de minha própria ficção, como costumo brincar, meu Jornada nas Estrelas com sérias restrições orçamentárias (tá mais para Star Wars, com esse negócio de jornada do herói solitário em sua busca de cavaleiro em cruzada). Mas, meu Deus, como dá trabalho costurar cenas, dar andamento às sequencias... vida de roteirista não é fácil... como se de desenhista não fosse igualmente desafiadora, cansativa, e árdua. (chorão do caralho!)

sábado, 27 de junho de 2009

Teoria de botequim (2) - criando polêmicas

Premissas e Elucubrações (2)



Onde acaba a admiração pelo universo ficcional criado por uma pessoa, seus elementos de ambientação, personagens e situações, e começa a obra autônoma, com o ponto de vista único que só nossa visão única e individual é capaz de captar e assim sendo torna-se uma necessidade pessoal de expressão ficcional pessoal?

Onde acaba o fanfic e começa a obra derivativa, o spin-off? Quando somos capazes de dizer que superamos o estágio de cópia com fins de aprendizado e nos criamos a homenagem com H maiúsculo?


Se você copia de um, é plágio. Se copia de muitos, é pesquisa e homenagem! (Fernando Aoki)


Quando é que sua própria criação, nascida da admiração, da vontade de ser igual, tão válido, maravilhoso e admirável quanto a inspiração-fonte, quando é que este fruto de um impulso criador pessoal nosso transcende este estágio larval ou crisálida para transmutar-se, para alçar seu próprio voo e seguir seu próprio rumo, até aquele estágio inebriante em que o próprio autor parece não ter mais controle sobre as ações daquele personagem que ganhou vida própria, daquela história que começou a se escrever sozinha de tão bem confeccionada?

Tomei contato com um spin-off recente, baseado no Universo Ficcional do Tetsuwan Atom, do falecido Osamu Tezuka (cujo nome continuamente aparece nos créditos como co-autor, vinte anos após sua morte), chamado PLUTO, uma história em quadrinhos com 65 episódios EXTREMAMENTE bem escrita, respeitando tanto aquele universo ficcional quanto o fato de nossa visão de futuro ter evoluído 40 anos desde a época das histórias originais. E me fez chorar, emocionar e torcer pelos personagens, seus dramas e ansiar pela solução da trama da história.

Dá uma tremenda sensação de mal-estar prévio essa alusão inicial a elementos conhecidíssimos de um universo ficcional alheio. E isso nos deixa pré-indispostos com a obra independente de seu próprio valor. Exceto as paródias!

E não tenho nenhuma posição definida a este respeito! Nem pró, nem contra.

sábado, 23 de maio de 2009

Teoria de botequim (1) - criando polêmicas

Por que Super-Herói Brasileiro não consegue ser convincente?


Nós temos entranhado, em nossa cultura, que este aqui é o país do jeitinho, o país dos espertos: quem não for esperto é feito de otário, só pode ir mesmo para a religião que promete a salvação para os martirizados que se conformem com seu papel social e esperem a salvação vinda de um ser superior que vai distribuir justiça ao homens e a você, “não-esperto”, desde que você siga o caminho do bem e da retitude, e acate os preceitos das instituições... ou vira um punk revoltado e alienado. As instituições são falhas em preservar a vida, os direitos e os pertences das pessoas de bem. As pessoas espertas aproveitam as brechas dos sistemas para não ficarem no papel de vítima, só que normalmente não ficam apenas no posto de sobrevivente com regalias, quer mais: acabam ascendendo ao poder, à autoridade, à formas de domínio sobre os demais comuns e humildes. Os humildes são reduzidos à condição humilhante de crentes ou de massa de manobra, simplesmente OTÁRIOS, e isso se reflete em TODAS as formas de entretenimento presentes, desde as piadas nos jornais e nos e-mails, nas tirinhas do Angeli, do Laerte, e nas charges políticas, nas telenovelas, no gibi da turma da Mônica...

No meu entender, é gerada uma frustração enorme na forma em que as pessoas são submetidas a essa mensagem subliminar massacrante, e existem formas de lazer escapista em que o humilde e o fraco até continuam como vítimas, mas não mais tratados como otários e os errados que nunca jamais terão oportunidade de sair da merda a não ser que entrem para a turma dos espertos... são as pessoas comuns dos gibis de super-heróis, descritos normalmente como coadjuvantes a serem salvos e a serem redimidos por entidades com habilidades sobre-humanas, quando não acabam sendo amigos destes seres superiores.



A versão brasileira não convence!


Os super-heróis e os heróis dos mangás de ação e aventura falam basicamente para as culturas locais de seus países de origem, mas têm um eco muito grande no interior dos leitores brasileiros, por oferecerem esta fantasia de compensação, sublimação! E tem a vantagem tremenda de contextualização fora do mundo brasileiro, ou seja, é escapismo também nesse sentido... isso explica porque a maioria das pessoas que gosta de histórias em quadrinhos de super-heróis torce o nariz para quando o autor nacional tenta emular esses símbolos, códigos e ambientações dessas aventuras para um brasil fictício... acabam ficando nada convincentes, a caracterização fica parecendo apelativa, discurso de petista ou de comunista em prol da nação... que não convence a ninguém!

O culto às antigas tramas simplistas, a um mundo mais simples, onde os bons são bons e os maus são maus, e o super-herói, acima da qualidade moral superior, triunfa sobre seus oponentes do jeito que todo mundo entende: SENTANDO BOLACHA NO VAGABUNDO DO VILÃO. Essas características acabam aparecendo direto nas histórias dos iniciantes e mesmo de autores com tempo de estrada nas costas... é EPIDÊMICO, é PRAGA, é que nem epidemia de DENGUE. Não se trata de falta de leitura, treino, discernimento.... TRATA-SE DA BENDITA DA CATARSE, da sublimação, da NEGAÇÃO DESTE MUNDO REAL ONDE SÓ A ESPERTEZA PROSPERA E O HOMEM CORRETO E JUSTO É CONSIDERADO UM GRANDESSÍSSIMO OTÁRIO QUE VAI SE F*&¨%$R NO FINAL POR QUE O MUNDO É MALIGNO ASSIM MESMO...



Querendo ver o herói triunfar sobre a esperteza...


E como disse no começo, MUITA GENTE QUE NÃO É ESPERTA ODEIA GENTE ESPERTA, E ODEIA MAIS AINDA VIVER NUM MUNDO ONDE A ESPERTEZA É A QUALIDADE NACIONAL MAIS ELOGIADA E APRECIADA PELA NOSSA CULTURA... e o produtor de histórias em quadrinhos ODEIA SER PASSADO PRA TRÁS NUM NEGÓCIO QUE FECHOU AS PORTAS PRA ELE... ser teimoso e retrógrado é mais do que simplesmente incapacidade... é ponto de honra e de protesto contra a esperteza das editoras que só publicam material estrangeiro porque este já vem a um custo absurdamente barato de licenciar e produzir... e histórias que não importam o quanto o autor rale, continuarão sendo mais espertas do que a obra dele..

Repetindo só para reforçar o conceito... gente esperta dá ASCO em gente honesta que só quer tocar a vida da maneira mais correta possível sem incomodar a ninguém... e o-d-e-i-a fazer papel de otário! E odeia mais ainda o quanto a mídia e a nossa cultura popular idolatra o esperto e vilipendia o justo e o bom como coisa de igreja, como coisa de fora deste mundo, como coisa que não é da natureza do brasileiro... eu amaldiçoo a lei do Gerson e amaldiçoo o impacto que a frustração de não pertencer ao mundo dos espertos causa nas demais pessoas, as faz se sentir diminuídas, frustradas, e voltando-se para exemplos e fantasias estrangeiras, onde o homem que ganha poderes não vai para a solução realista de tirar partido, aproveitar-se da situação: ele vai para uma nada realista cruzada em prol do bem contra o mal... parece o tal do jesus prometido pela bíblia que voltará no apocalipse para consagrar os humilhados e os probos e corretos, e punir definitivamente os ímpios e os maus, o São Sebastião que voltará do mar onde naufragou para trazer o caminho da salvação para o povo português... ansiamos a vinda do messias, os comics e os heróis dos mangás anteciparam a chegada dele... mas não para o brasileiro, só para o gringo e para o estrangeiro...

E nós, os fãs, que adoramos ler histórias de super-herói, ATÉ MESMO NÓS já notamos que a maioria das tramas atuais só é interessante porque os personagens são OBRIGADOS a usar a massa cinzenta para vencer seus desafios, são obrigados a ser mais espertos que os vilões para poder triunfar sobre o desafio que aparenta...



Infelizmente, a simploriedade não ajuda em nada o autor nacional...

E o bendito do autor gringo, por que ele funciona?


O que incomoda aos críticos, e com razão, é a persistência em modelos ruins e num tipo de produção quadrinhística que não apenas ofende a inteligência do leitor, como também não consegue angariar nem simpatia nem identificação com os dramas vividos pelos personagens, aparentemente só o próprio autor consegue se importar com o que vai acontecer com o seu personagem querido... faltam realmente elementos de enredo e de sincronização com o mundo real e as pessoas de verdade, que fazem com que a fantasia super-heróica nacional(ista) fracasse em termos de comover as pessoas, ao passo que as "benditas" das novelas e aqueles pequenos quadros de situações do fantástico são bem sucedidos em chamar a atenção.

O que mata é que neguinho vem lá dos Estados Unidos, lá do Japão ou da Europa, fala sobre um monte de assuntos TOTALMENTE FORA DA REALIDADE DO BRASILEIRO, e acaba chamando bastante a atenção, sendo histórias atrativas, comoventes, o leitor acaba se encantando com aquele universo, aqueles personagens, e começa a torcer por ele.
E um ou outro mais talentoso, ou melhor dizendo, persistente, quer emular aquela história... perdão, aquele UNIVERSO FICCIONAL do jeito dele, reinventado, sob-medida, o FAN-FIC dele. Ele faz uma reconstrução daquele(s) mundo(s) fantástico(s) que tanto o inspirou e inspira, com as ferramentas do intelecto, e sincronizando melhor com seus gostos pessoais.

Isso não deveria ser um problema, porque em última análise isso acontece NO MUNDO TODO, MILHARES DE AUTORES DE QUADRINHOS COMEÇAM DESSE JEITO NO MUNDO TODO!!! Por que só no Brasil isso deveria ser um problema?

O fato é que A ABSOLUTA AUSÊNCIA DE EMPATIA ENTRE AS PRODUÇÃO DE QUADRINHOS NACIONAIS E O INTERESSE DO LEITOR É EPIDÊMICA, É QUE NEM SURTO DE DENGUE, se espalhou por tudo quanto é lugar, só que ao contrário da dengue, que existe conhecimento técnico sobre como combatê-la e como evitar sua propagação (só falta a vontade política em fazê-lo), NINGUÉM SABE AO CERTO COMO FAZER PARA TORNAR SUA HISTÓRIA ATRATIVA AO LEITOR... E AI DO PRIMEIRO FILHODAPUTA QUE SE METER A BESTA DE ENSINAR "VINDE A MIM, EU CONHEÇO O CAMINHO" sem ter o precioso respaldo do EXEMPLO BEM-SUCEDIDO A SER INVEJADO, COPIADO E SEGUIDO (né, “senhores sabe-tudo-que-abundam-pelos-blogs-e-fóruns-de-discussão-sobre-quadrinhos”?).



E quando você vai dar o exemplo a ser seguido, ô papudo do dono do blog?



Quando eu engrenar de vez a retomada da minha capacidade produtiva, ó todos aqueles esperançosos em que finalmente Aoki saia de seu maldito casulo imobilista e volte a fazer estrago na cena nacional... muitos me dão aval e apoio apenas por conhecerem às velharias postadas neste blog, poucos privilegiados tomaram conhecimento de meus planos presentes para meu herói com perspectivas sérias de futuro próspero, e com mais veemência ainda me deram suas bênçãos, suas palavras e intenções de apoio, e votos sinceros de boa sorte.

Só posso, e digo isso sem proselismo ou politicagem nem puxassaquismo, que não sossegarei o facho enquanto não tornar materializada (ainda que restrita à forma de imagens virtuais ocupando bytes em algum provedor de hospedagem internet) este primeiro episódio do robô biruta e latão que avoa pelo espaço sideral, digno de minha própria apreciação enquanto leitor, e igualmente digno de todo um esforço de elaboração mental para torná-lo o melhor quadrinho que posso fazer neste meu momento presente... dá até medo soltar uma declaração desse porte para algo que no fundo no fundo não passa de um hobby que virou uma terapia mental e agora se converteu para um caso de vida ou de morte... da expressão artística do Fernando Aoki indivíduo em seu mais puro grau, acima de perspectivas de publicação, de agradar a público leitor, de funcionar para o mercado, de prestação de contas à família... eu transcendi a tudo isso, e devo viabilizar esta minha criação pelo simples e singelo fato de que não apenas só eu posso fazê-la dessa maneira, como ainda por cima, tornou-se uma questão pessoal realizá-la.

Aos senhores que conhecem o plot que elaborei, só peço uma coisa... encham-me de cobrança... amplifiquem o desassossego que me perturba minhas horas de lazer a cada vez que pego num lápis e rabisco alguma coisa... a cada anotação em bloco de nota ou em arquivo de processador de texto que vier a se somar, a detalhar e a complementar esta história... a cada rascunho meu retomando estudos de anatomia daquele enorme e detalhado livro do senhor Burne Hogarth... a cada vez que eu copiar uma arte a lápis do senhor Alan Davis ou do senhor Pasqual Ferri... a cada contemplada que eu der nos meus próprios desenhos antigos naquele misto de saudosismo, temperado com aquele inevitável pensamento obsessivo "se já cheguei a fazer isso antes posso fazê-lo novamente"! É meu apelo e minha automaldição, serei maldito se morrer sem concretizar o que me propus a fazer, serei maldito se ter deixado aos senhores com tanta água na boca e morrer na praia sem entregar aquilo que prometi.

Minha própria idéia primária ganhou corpo, volume, consistência... tornou-se tudo o que eu sonhara em termos de alicerce para as aventuras de meu próprio super-herói, tão digno de ser lido quanto qualquer outro herói de inspiração anterior ou mesmo de histórias de aventura que acompanho agora. Mesmo que a execução da idéia fique aquém das expectativas, saberei que não terei sido preguiçoso nem cômodo, e que terei dado tudo de mim para viabilizá-la enquanto desenhista, enquanto escritor de diálogos, enquanto diagramador de sequências, enquanto diretor de arte, enquanto ditador supremo da equipe do eu sozinho!

Muito obrigado a todos que me apóiam e a todos que me apoiarão doravante!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Premissas e elucubrações (1)

Tem algumas premissas básicas no latão aqui que tentei pôr antes aqui no blog mas não conseguia fazer uma síntese melhor organizada, então largo deste jeito mesmo:

1 - Não dá pra negar a influência dos heróis espaciais da Marvel (que eu lia nos oitentões) na concepção de meu personagem, especialmente o Surfista Prateado do John Buscema e o Senhor das Estrelas do Byrne (dá-lhe, oitentões!), e principalmente o ROM, o cavaleiro do espaço. Na época, achei que seria interessante colocar uma inteligência artifical DO BEM no lugar de um cavaleiro de armadura como o Homem de Ferro e o próprio Rom... alguém que busca a humanidade mesmo não tendo origem humana.
Nunca contei o Visão como cem por cento artificial por causa daquele lance das ondas cerebrais do falecido Simon William, e muito menos o Tocha Humana original de 1939, por ter aparência humana demais, e fui influenciado pelos livros do Asimov e o velho seriado do Jornada nas Estrelas: nos livros, as máquinas eram um reflexo da humanidade com seus defeitos e suas virtudes, no seriado, eram criações que acabavam se voltando contra seus criadores.
E nos quadrinhos adultos, na época da Animal, tinha o RanXeroX, um bruto violento e bárbaro dentro de uma estrutura de máquina, mas igualzinho os punks... e eu quis um herói máquina justamente para fugir disto, o quadrinho comercial de herói renegando o quadrinho autoral, justamente para homenagear o primeiro pela oposição!
O fato do visual dele remeter ao vilão Besouro, inimigo do Homem de Ferro, foi realmente inconsciente... estava tentando com meus parcos recursos mentais à época recriar a impressão que tive com aquela cena antológica do Exterminador do Futuro, onde ele emerge sem o disfarce humano após a explosão de um caminhão tanque. E naquela cópia escura dos cinemas dos oitentões, aquele robô ameaçador me parecia um robô preto, daí eu pintar de preto o Alma de Aço, ele tinha que começar uma ameaça para então aparecer como herói.

2 - Como puderam notar, desde aqueles primórdios, adoro ironias e contrastes, e felizmente agora encontro-me dotado de discernimento e ferramental técnico mais apropriado para fazê-los em meu personagem de maneira bacana e decente! O senso de ironia acentua e dá força às ideias principais dos roteiros, realça a mensagem, e diverte o leitor mais exigente e perspicaz.

3 - Eu sempre tive fixação por aquelas antigas revistas preto-e-branco A Espada Selvagem de Conan, por que, mesmo dentro de um personagem que tem uma cronologia narrativa, com evolução de situações, reencontro de personagens do passado e de histórias anteriores, NÃO TINHA A BENDITA DA ARMADILHA DA NOVELA SERIADA em que se tornaram os gibis de super-heróis de agora: eram NORMALMENTE histórias com começo, meio e fim NA PRÓPRIA REVISTA. E defini que, dentro da medida do possível, TODAS AS HISTÓRIAS DO ALMA DE AÇO deveriam ter começo-meio-e-fim no próprio episódio! E evitaria ao máximo possível sagas de mais de cinco episódios para ser resolvida (é, eu mesmo não consegui evitar e elaborei uma história em cinco partes com uma aventura muito legal do latão).
Mais uma vez é a coisa da ironia: eu quero ir contra uma estrutura comercialmente bem-sucedida de gibi de linha, de super-herói, mas que eu acho UMA AFRONTA AO LEITOR ENQUANTO CONSUMIDOR DE ENTRETENIMENTO e ao direito dele comprar POR GOSTAR, NÃO POR SER OBRIGADO A ACOMPANHAR O DESENROLAR DA NOVELA E FICAR SE MARTIRIZANDO QUERENDO SABER O FINAL!!!

4 - Atualmente, na revisão do personagem, estou constatando simbologias presentes nos conceitos e nas histórias muito bacanas, que não tinham ocorrido na época mas que estão claras como cristal:

O Alma de Aço é o ápice da tecnologia humana, tanto em armamento altamente sofisticado quanto pelo fato de ser uma inteligência artifical sagaz e bastante equipada para a sobrevivência e para a ação... só que é uma porra de um bárbaro, só sabe oferecer soluções militares do tipo mais trogodita, do tipo extermínio total do desafeto, mesmo o cérebro artificial dele dizendo que nesta ou naquela situação o negócio mesmo é sentar e negociar...
Porra, o cara é UM BÁRBARO, UM TROGLODITA disfarçado de equipamento de última geração... vai ver que é por isso que tem visual de cavaleiro de armadura medieval, parece um transformer fuscão preto ou um besouro halterofilista (eu só desenhei ele parrudo pra parecer um super-herói... pelo visto, vou manter esse visual bem desengonçado e antiquado justamente para realçar o aspecto de solução ignorante para um problema)

Prefiro mantê-lo, em essência, um herói, aquele que procura fazer o que é o certo e o justo... só que agora estou carregando a mão nas falhas de caráter e no revanchismo deste meu personagem... definitivamente os programadores da personalidade dele tinham sérios problemas emocionais...
Um herói que mete os pés pelas mãos, que acaba ou entrando em dilemas morais sobre o certo e o errado, ou pior, em que ambos os lados de uma situação TEM RAZÃO e estão certos (alguém lembrou de Palestina e Israel?). E quando ele tem que se opor a outros que ESTES SIM SÃO HERÓIS LUTANDO PELO QUE É CERTO e tiveram apenas a infelicidade de topar no caminho dele do lado oposto?

Cara, eu adoro essa dicotomia... esse lance de amoralidade mesmo em busca da moral que tanto tinha nas histórias do Conan, o Bárbaro... e que eu vi aprimorada e atualizada através de um quadrinhista japonês absurdamente talentoso e elaborador, Yukito Kishiro, autor de Gunnm - Hyper Future Vision / Last Order (igualmente conhecido como Battle Angel Alita) e de Acqua World.

É a ironia a serviço de aumentar o interesse do leitor no meu trabalho quadrinhístico e trabalhando em prol de aumentar a diversão de quem ler!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Henrique Taiyo, desenhista excepcional

Eu treinei arte-finalização sobre o desenho dos MELHORES - 2



Na época em que andava com o pessoal da Abrademi, conheci Henrique Taiyo, estudante de medicina, e um desenhista talentosíssimo. Misturando traços de mangá com ficção e fantasia européia (especialmente o Moebius), escreveu e desenhou esta história que chegou até a ser publicada numa revista pela Editora Nova Sampa que agora não lembro o nome!
A história em si era fantástica, mas eu achava que ela podia se beneficiar de um acabamento gráfico mais trabalhado... pedi, e o Taiyo, muito generoso, me liberou cópias xerox para eu brincar em cima!
O resultado pode ser visto abaixo... aprendi muito utilizando minhas técnicas de traço a nanquim com pincel de cerdas compridas no desenho bastante detalhado dele. Lembro-me que, à época, ele ficou contente com o resultado, assim como eu.

Não sei do paradeiro atual dele, mas como estou devidamente creditando a autoria das artes, só expondo este trabalho como arte-finalista, não creio que ele vá ficar ofendido ou incomodado quando vir seu nome num blog da internet, e com seus desenhos de vinte anos atrás...

ATUALIZAÇÃO EM ABR/09 - Recontatei o Taiyo graças ao orkut, e ele me deu sinal verde para divulgar o trabalho dele. Só pediu que eu parasse de copiar os seus desenhos... ele vai usá-los ainda para fazer futuras histórias! Estou divulgando o deviant-art com mais artes inéditas


segunda-feira, 23 de março de 2009

Alex Barreto Cypriano 2

Eu treinei arte-finalização sobre o desenho dos MELHORES 3


Meu grande amigo e colega de faculdade, Alex Barreto Cypriano, e sua personagem Sorya apresentada antes na história Urbis



alex barreto cypriano 1

Eu treinei arte-finalização sobre o desenho dos MELHORES


Meu grande amigo e colega de faculdade, Alex Barreto Cypriano, e sua Urbis, certamente uma das melhores histórias em quadrinhos feitas por fanzineiros que tive a felicidade de ler!



domingo, 1 de março de 2009

Lost in Time, a vergonha de Fernando Aoki

INÉDITO; O MELHOR ROTEIRO JÁ ESCRITO A DUAS MÃOS QUE CHEGOU ÀS MÃOS DE FERNANDO AOKI !!!

Lost In Time - A saga, o mito, a picaretagem - 1ª parte


E Fernando Aoki, o slang, ficou devendo o desenho de uma história em quadrinhos para Rogério Kivitz...







Lost In Time - A luta, a glória, a decepção - 2ª parte






Lost In Time - A derrocada, o triunfo, a frustração após tantos anos - 3ª parte