terça-feira, 12 de maio de 2026

Apresentando o personagem “Alma de Aço”

Começou como uma história “one-shot” (com começo-meio-e-fim no mesmo episódio) de um robô super-herói criado em 1986 para um público juvenil a pedido de um editor de publicações deste gênero. Insatisfeito com sua qualidade precária, com diversos erros e problemas típicos de autor-desenhista iniciante, mas acreditando naquele personagem (que tinha um nome original e fácil de memorizar, e uma boa premissa para virar uma série), pratiquei uma contínua reescrita daquela aventura em busca de um “senso de maravilhamento” que os bons quadrinhos oferecem, e dessa forma, descobri que aquele universo ficcional seria uma plataforma divertida para se contar todo tipo de história.

Eis suas quatro etapas de desenvolvimento da história que inauguraria a série:

  1. Versão de 1986

    Contando uma história de origem para o herói, cuja premissa não passava de um tipo de “super-homem com desculpa para a sua invulnerabilidade: quebrou, conserta”. Com noção muito vaga de enredo, de criação de tensão e expectativa e incapaz de envolver o leitor com o drama dos personagens, este quadrinho foi desenhado e arte-finalizado em preto e branco, sem planejamento prévio: a história era escrita durante o desenho de cada página.
  2. Versão de 1989

    Escrita através de storyboards que aplicavam várias técnicas apropriadas de quadrinhização com dinamismo e boa leitura, tinha um início dinâmico e um desfecho com impacto, mas que falhava justamente por não conseguir comover nem despertar empatia pelos personagens (faltou “alma”!!!).
  3. Versão de 2003

    Apenas anotada como sinopse estendida, em forma de descrição textual sem estrutura literária ou cuidados; definiu o “cânone” de origem do personagem, melhorou a interação entre ele e os demais, com ênfase tanto para a “dor” dos coadjuvantes quanto para o próprio desejo do antagonista, porém não conseguiu o apelo desejado, já que, pela trama, o herói da história (e de sua posterior série) começava apenas como um “McGuffin” (objeto ao redor do qual giravam as ações dos demais personagens), e só então age para encerrar a história como um “Deus Ex-Machina” (ironia!) para um final (mais-ou-menos) feliz; o fato é que ninguém aprecia e muito menos se solidariza com um protagonista coadjuvante em sua própria aventura inicial. Mesmo com todos esses senões, esta trama será a história “de origem” do Alma de Aço, inclusive esclarecendo porque o personagem recebeu este nome.
  4. Versão “inspiração pela escrita em andamento”

    Uma história diferente, cujo roteiro aplica todos os ensinamentos práticos e conceituais aprendidos através de muita leitura e reescrita, simulando um episódio de uma série já em andamento que apresenta o protagonista pelo seu desejo central (sem flashbacks exaustivos que quebram o ritmo da narrativa), visando a empatia com o leitor. Antevê uma mudança de público, menos infanto-juvenil e mais jovens-adultos (seguindo o modelo de sucesso atual da literatura sob medida para “young adults”. A ideia é de mostrar os progressos para serem acompanhados por seguidores em comunidade de engajamento difundida por redes sociais.

Conheça as histórias:

Veja também os desdobramentos da série:

3 comentários:

  1. Meu artista preferido da vida! Estou tão feliz em te ver criando novamente. Sorte! Glauce

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  2. Eu não sabia q vc tinha feito várias versões do seu personagem. Bom saber

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  3. Bom saber q vc fez várias versões do personagem. Tony Fernandes

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Elogio ou crítica? nunca censuro nada, mas... não ABUSE! hehehe

Apresentando o personagem “Alma de Aço”

Começou como uma história “one-shot” (com começo-meio-e-fim no mesmo episódio) de um robô super-herói criado em 1986 para um público juveni...